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Uma publicação da AEI Associação Espírito Santense de Imprensa

Rubem o imbatível Braga

Rubem Braga

Vamos Conversar

Stelio Dias

 

Rubem o imbatível Braga

Presidente Truman dos EUA estava para visitar o Brasil. A tradição brasileira de receber bem os visitantes antecipava uma recepção digna de Chefes de Estado.. Os jornais anunciavam a chegada de um Presidente. Não um qualquer, mas nada mais nada menos do que Truman. Não o Capote, nessa época pouco lido, mas um estadista conhecido pela Doutrina Truman. A Doutrina dava inicio a bipolaridade cosmo politico e a chamada Guerra Fria, Washington versus Moscou. Guerra Fria que animava as conversas de botequim. Voltando a “vaca fria”, Truman jogou a bomba no Japão, mas criou a ONU. Ajudou a divisão da Coreia e deu ponto e primeiras cores a um Ditador mais caricato que desenharam para nos, o da outra Coreia, a do Norte.

Em Ipanema, uma maquina de escrever portátil aguardava silenciosa o Presidente dos Estados Unidos. Era a Olivetti do Cachoeirense ausente, mais presente que se tem notícia, Rubem Braga. Considerado um comunista ou simpatizante, se adiantava se apresentando: “não sou comunista nem cristão, mas apenas um homem distraído e medíocre”. Não gosto de politica porque “fazer politica é namorar homem”. Sua agradável impertinência marcava algumas crônicas melhores do gênero, como a do Padeiro. Enquanto a hospitalidade brasileira recebia Truman com o conhecido “Welcome Truman”, Rubem sinalizava na sua Olivetti portátil: “Welcome, uma ova! Na mansão dos Braga em Cachoeiro do Itapemirim você não porá os pés”. Esse era um pedaço do cachoeirense Rubem Braga, hoje, vivo teria um armazém de assuntos, com estoque de fazer inveja a outro bamba Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

O Rubem Braga de minha adega de jovem era como um vinho que você toma acompanhado de boas coisas ou ótimas pessoas. Sua literatura era uma essência de precisa intimidade com a sua alma. Foi um escritor que amou sua terra e a palavra. Não jogava palavra ao vento. Tudo tinha significado e a beleza da forma.

Rubem foi um escritor cujas historias vão ao longo do tempo se confundindo com ficção. Não sei se nasceu como quis, mas viveu como quis e morreu como quis. Viveu a liberdade que pregava. Reuniu os amigos para anunciar sua morte e dizer que morreria só. Contam que foi a São Paulo contratar sua cremação.À pergunta do responsável quem era o defunto. Respondeu com tranquilidade: “Eu”.

Até sua transcendência tratava com leveza de uma crônica como a da Borboleta Amarelas. Fez das portas do céu um epitáfio: “sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar ele ficará indeciso se eu lhe disser em voz baixa ao pé do ouvido: Eu sou lá de Cachoeiro…”

Praza Rubem Braga vigilante lá em cima como foi na mordacidade lírica aqui embaixo não permita que nenhum governante ou politico desocupado coloque seu nome em Rodoviária ou rua sem saída. A Vale através do Museu Ferroviário fez uma exposição dos vinte cinco anos de sua morte. Poderia ser melhor em se tratando da Vale, mas longe de trocadilhos valeu. Digitalizada e com mais empenho poderia ser levada a todo o Pais.

Seria do agrado do Rubem que sua palavra caminhasse e não se perdesse nunca, como um dia (ele) “sentiu uma coisa boa dentro de si, uma certeza de que nem tudo se perde na confusão da vida e que uma vaga, mas imperecível ternura é o premio dos que muito souberam amar”

 

O Registro

Umberto Eco

Morreu o escritor, ensaísta, filósofo, pensador italiano Umberto Eco. Deixou romances, ensaios, artigos. O Nome da Rosa 10 milhões de exemplares. O mais lido e comentado. Leitura obrigatória de um romance que se passa na idade média, mas que trata de assuntos atuais como a produção, armazenamento, uso do conhecimento, o poder a sua manipulação. De sobra vai percorrer a influencia do pensamento de Santo Agostinho. Vale a leitura.

 

O Filme

Cartaz do Filme O Nome da Rosa

O Nome da Rosa. Sean Connery faz um excelente trabalho na figura do monge investigador. O roteiro às vezes não trabalha o romance. Quem leu o livro poderá não gostar do filme. Mas por certo quem tiver oportunidade de ver o filme vai querer ler o romance.

 

A frase

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade.” Umberto Eco

 

O Livro

Capa do Livro O Nome da Rosa de Umberto Eco

O Nome da RosaUmberto EcoEditora Record. É um livro que pode ser chamado de instigante. A trama da morte de sete frades leva-nos à idade media. às contradições da igreja e das doutrinas da idade media. A Filosofia Agostiniana. Enfim, Umberto Eco coloca-nos dentro das conflitos religiosos da Idade Média e nos projeta para uma crítica à sociedade moderna. Não deixe de ler quem ainda não teve oportunidade.

 

Stelio Dias, jornalista, professor (Ufes e UnB), preside a AEI e exerce a vice presidência na FENAI e ABI-DF. Foi Deputado Constituinte na Câmara Federal.

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